20 junho 2006

Confraterorkutssianos

Guaraci Rodrigues


Ahrram! ... Atenção!
Toc, toc, toc.(som de batidas no microfone)
É com grande alegria que como presidente da comunidade Orkutiana, de fãs, do escritor Luis Fernando Veríssimo, declaro iniciado o 17 Encontro Anual.
Este encontro, como todos sabem, serve para confraternizar os membros, (ui) da comunidade criada para homenagear o nosso amado Luis Fernando Veríssimo.
Damos as boas vindas e lembramos a todos que guardem os ingressos para concorrer ao sorteio de alguns souvenir’s do nosso escritor amado, conseguidos durante o ano por nossos agentes disfarçados, já que temos por princípio, não perturbar nosso ídolo.
Este ano temos: um guardanapo de papel usado por ele em um restaurante chinês, ainda com restos de um molho indefinido, uma rolha de uma garrafa de vinho sem rótulo, mas com probabilidade de ser húngaro, polonês ou do Liechenstein, porque ao provar exclamou: –Uggurggghhh! E uma fita gravada com a reprodução de uma frase INTEIRA dele, obtida debaixo da janela do banheiro de sua casa, quando provavelmente teve uma de suas idéias geniais, dizendo: Está faltando papel!
Neste ano não foram impressos os ingressos com os números 17 e 117, para evitar a supervalorização destes na mão de cambistas.
Em virtude da recente briga, quando alguns membros mais exaltados quiseram invadir a casa do LFV e faze-lo escolher, (na marra!), qual comunidade lhe era mais fiel, resolvemos não convidar nenhum moderador das outras comunidades sobre ELE.
Também, em vista de alguns acontecimentos ocorridos em encontros anteriores, e principalmente no do ano passado, foram criadas algumas regras Mandatórias, que obviamente deverão ser obedecidas por todos.
1- Sabemos que alguns bordões nos são caros, e que a comunidade não quer saber de justificativas, mas temos que ser mais flexíveis em alguns casos como, por exemplo, a situação em que ficou o Dr. Édipo Electra, encontrado nu, deitado em um pelego abraçado a um retrato do Freud. Apesar de tentar provar que existia uma explicação lógica para o fato, o Dr.Édipo, foi impedido pela turba ignara que não lhe deixou em paz gritando: Não explica! Não explica!
O Sr. Antonio Silva exige que nesse ano, quando dirigirem-se a sua esposa, chamem-na usando o seu nome de batismo, Almerinda, e que considerará ofensa qualquer um dirigir-se a ela, como a mulher do Silva.
3-O Sr. Máximo Gigante pede que durante os jogos de arena, os espectadores não gritem mais pelos anões besuntados, e sim como manda o manual das expressões politicamente corretas, pelos desfavorecidos verticalmente.
4-A Sra.Edineura, representante dos que entraram para a comunidade a partir dos “Quase”, pede que as hienas não sejam colocadas na mesma arena com os leões, pois acha que hienas rindo enquanto os leões atacam, é um castigo desproporcional ao erro cometido por eles.
5- Lembramos a todos sobre o termo de compromisso que assinaram de que neste encontro, ninguém fará perguntas trocando o “q” pela letra “c”; como “ Cuem disse, O cuê foi? O cué isto?” Porque já está se tornado uma praga incontrolável.
6-O bloco carnavalesco organizado pelo Dr.Mal Mengele, com latinhas de cerveja, tamborim, cavaquinho, tuba, pífaros e quartetos de cordas, que tradicionalmente sai pelas ruas da cidade ao fim da festa, e que tem sido o ápice dos nossos encontros, merece considerações à parte.
No ano passado nosso desfile pelo centro de São Paulo não foi bem aceito pela comunidade paulistana.e estamos sofrendo vários processos por perturbação da ordem pública, atrapalhar o trânsito e danificar patrimônio público, .
Não houve críticas ao som, já que no centro de São Paulo este tipo de cacofonia é normal, mas carregar os instrumentos em cima de elefantes, camelos, hipopótamos e porcos espinhos, foi uma idéia no mínimo extravagante, que a cidade levará muito tempo para esquecer.
Além do mais, o tema LFV É SEM ACENTOS E COM “S”, O RESTO É PRESQUE! Causou confusão entre o público que na sua ignorância da língua francesa, traduziu o PRESQUE por FRESCO, e como conseqüência ao passar pela Av. São João a escola teve adesão de vários travestis que achavam que era uma parada gay, e jogavam plumas e beijos para a multidão, até o trágico incidente, em frente da Academia do JORJÃO SCHWARZNEGEER cujos membros resolveram tirar satisfações.
Na confusão a ala Sexo na Cabeça, que fazia a comissão de frente, se enfiou (ui!) entre as demais alas, causando desconforto nos colegas e fazendo a ala das baianas rodarem as mesmas, com isso ganharam a adesão das mulheres a beira de um ataque de nervos, que reagiram jogando pacotes de bolachas, embalagens de chocolates, latinhas de cerveja, canivetes, facas, luvas de box e coquetéis molotov nos desafetos.
Por este motivo, tivemos de fazer este encontro em uma cidade menos sensível a estouro de manadas de girafas, ataques de rinocerontes e de mulheres com TPM.
Buscamos inspiração nos livros de Luis Fernando Veríssimo e concluímos que a cidade de Vila Real dos Pássaros da Margem Oposta seria esse lugar, porque como todos podem ver, aqui é o local ideal para não sermos achados, pois estaremos sempre do lado oposto da polícia.
A anuência dos habitantes foi comprada por cento e dezessete irônios ($ 117,00), nossa moeda oficial.
Por isso, meu povo! Gritemos:
-Orgias, orgias, e olha o Luis Fernando Veríssimo aí, geeeente!!

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