- Precisamos deliberar, precisamos deliberar!
Em uma pequena e esfumaçada sala, cinco gângsters marcianos discutam o fracasso do seu último golpe: uma invasão surpresa para tomar a Terra em definitivo (que fique claro, isso não tem nada a ver com a insistência de parte da imprensa brasileira em chamar o pessoal do MST de alienígenas).
Aquele que parecia ser o chefe, soltava baforadas de vapor de mercúrio pelas orelhas - todas as quatro - enquanto repetia irritado:
- Precisamos deliberar, precisamos deliberar!
O mais verdinho de todos falou:
- Chefe, acredite. Não tivemos culpa.
- Como não, Zork, seu cabeça de vento lunar? Falhar ao dominar um planeta formado por seres fracos, limitados e que pautam suas vidas por revistas de fofoca? Francamente...
- Acho que atacamos no momento errado. Fracassamos no timing, boss. – Falou o que tinha a cabeça em forma de bigorna e vestia uma daquelas camisas Eu-coração-Nova Iórque.
- Você e seus anglicismos bobos, Phobs. O pior é que de nada adiantou essa sua habilidade lingüística. Você foi um fracasso lá nos EUA.
- Mas, chefe... é difícil falar inglês num lugar onde só tem mexicano...
- Precisamos deliberar, precisamos deliberar! – Falou o chefe em meio a novas ondas de fumaça.
O suor nervoso faziam as escamas dos quatro comparsas brilharem mais do que o normal. O que tinha pescoço de girafa e tromba de mamute tomou a palavra:
- Chefe, você tem que entender. O nosso planejamento foi perfeito, mas houveram contratempos nunca antes vistos na história desta galáxia...
- Exemplos, Garbor. Preciso de exemplos.
- No meu caso, acabei prejudicado pelo bloqueio de recursos. Levei dinheiro terráqueo para comprar armas de destruição de massa com os árabes, tudo para que não levantássemos suspeitas, mas...
- Mas...?
- Mas apliquei no Lehman Brothers para fazer o dinheiro render um pouquinho e garantir o iPod da patroa. Só que o banco quebrou e eu fiquei sem nada. Pra você ter uma idéia, tive que trabalhar como empacotador do Wal-Mart para pagar a viagem de volta.
- Ué, e porque você me ligou pedindo dinheiro para comprar a passagem?
- Descobri que como empacotador do Wal-Mart eu levaria uns 600 anos-luz para juntar essa grana, chefe.
O verdinho aproveitou e se explicou também:
- No meu caso, acho que houve uma falha no módulo de comunicação. Como combinado, pousei a nave no sul dos EUA e assim que encontrei um terráqueo fiz contato. Falei para ele que estava ali para tomar a casa dos humanos. Ele me chamou de agiota safado e de mais algumas palavras raivosas que não consegui identificar. Disse que só porque ele era gari e estava com a hipoteca atrasada, não me dava o direito de agir assim. Sem mais nem menos, ele pegou uma arma e começou a atirar em mim.
- Júpiter dos céus, vocês não disseram antes de partir que os seres humanos eram inofensivos?
- O problema é que todo ser humano inofensivo que vive nos EUA tem uma arma em casa, chefe. – Falou Zork, enquanto mostrava na sua barriga os buracos feitos pelas balas. – Pensei comigo: foram-se os anéis de Saturno, mas ficaram-se os dedos.
Uma baforada raivosa levou uma das orelhas do chefe a se engasgar. Ele andava de um lado para o outro:
- Precisamos deliberar! Precisamos de-li-be-rar!
Phobs levantou a mão. O chefe consentiu com a cabeça:
- Eu fiquei com a incumbência de me apossar dos símbolos yankees. E qual foi a primeira coisa que fiz? Conquistei a presidência da General Motors. Só não podia imaginar que seria linchado por milhões de trabalhadores que haviam acabado de ser demitidos no plano de reestruturação da empresa. Malditos mexicanos...
- Ué, e porque você me ligou pedindo dinheiro para comprar a passagem?
- Descobri que como empacotador do Wal-Mart eu levaria uns 600 anos-luz para juntar essa grana, chefe.
O verdinho aproveitou e se explicou também:
- No meu caso, acho que houve uma falha no módulo de comunicação. Como combinado, pousei a nave no sul dos EUA e assim que encontrei um terráqueo fiz contato. Falei para ele que estava ali para tomar a casa dos humanos. Ele me chamou de agiota safado e de mais algumas palavras raivosas que não consegui identificar. Disse que só porque ele era gari e estava com a hipoteca atrasada, não me dava o direito de agir assim. Sem mais nem menos, ele pegou uma arma e começou a atirar em mim.
- Júpiter dos céus, vocês não disseram antes de partir que os seres humanos eram inofensivos?
- O problema é que todo ser humano inofensivo que vive nos EUA tem uma arma em casa, chefe. – Falou Zork, enquanto mostrava na sua barriga os buracos feitos pelas balas. – Pensei comigo: foram-se os anéis de Saturno, mas ficaram-se os dedos.
Uma baforada raivosa levou uma das orelhas do chefe a se engasgar. Ele andava de um lado para o outro:
- Precisamos deliberar! Precisamos de-li-be-rar!
Phobs levantou a mão. O chefe consentiu com a cabeça:
- Eu fiquei com a incumbência de me apossar dos símbolos yankees. E qual foi a primeira coisa que fiz? Conquistei a presidência da General Motors. Só não podia imaginar que seria linchado por milhões de trabalhadores que haviam acabado de ser demitidos no plano de reestruturação da empresa. Malditos mexicanos...
- Tem que haver uma explicação para isso. Se o ET, pequeno e fraco daquele jeito conquistou a Terra, porque nós não conseguimos.
- Foi a crise mundial, chefe. – Falou asperamente o que tinha a cabeça translúcida e o cérebro fosforescente.
- Explique melhor, Zapzis.
- O capitalismo e a ganância dos ricos levou o sistema financeiro terráqueo a um colapso, arrasando corporações, alterando comportamentos e despertando o instinto de sobrevivência naqueles molóides.
- E isso não faria o nosso trabalho ficar mais fácil?
- Talvez, se ao invés de focar nos EUA tivéssemos destruído os emergentes. Eles é que estão segurando as pontas por lá.
- Então vamos destruir esses aí, ora bolas.
- Difícil, chefe. Muito difícil.
- Como difícil? Eles nem emergiram ainda! Qualquer coisa que fizermos resolve, não?
- A China é grande demais e tem um idioma indecifrável. A Rússia é muito fria e a máfia do petróleo, perigosíssima. A Índia está fora de cogitação, porque não se pode explicar um povo que considera uma vaca como algo sagrado. Resta o Brasil...
O chefe deu um pulo empolgado.
- Isso aí! Vamos então dominar o Brasil! E a partir daí, o mundo! Diga que é possível, Zapzis.
- É possível. Mas...
- Será possível ter sempre um “mas”? “Mas” o quê, afinal?
- Vai ser preciso fazer um acordo com o PMDB...
Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente. O chefe soltou uma longa baforada de vapor de mercúrio e bufou gravemente:
- O que vocês acham de Vênus?
- Foi a crise mundial, chefe. – Falou asperamente o que tinha a cabeça translúcida e o cérebro fosforescente.
- Explique melhor, Zapzis.
- O capitalismo e a ganância dos ricos levou o sistema financeiro terráqueo a um colapso, arrasando corporações, alterando comportamentos e despertando o instinto de sobrevivência naqueles molóides.
- E isso não faria o nosso trabalho ficar mais fácil?
- Talvez, se ao invés de focar nos EUA tivéssemos destruído os emergentes. Eles é que estão segurando as pontas por lá.
- Então vamos destruir esses aí, ora bolas.
- Difícil, chefe. Muito difícil.
- Como difícil? Eles nem emergiram ainda! Qualquer coisa que fizermos resolve, não?
- A China é grande demais e tem um idioma indecifrável. A Rússia é muito fria e a máfia do petróleo, perigosíssima. A Índia está fora de cogitação, porque não se pode explicar um povo que considera uma vaca como algo sagrado. Resta o Brasil...
O chefe deu um pulo empolgado.
- Isso aí! Vamos então dominar o Brasil! E a partir daí, o mundo! Diga que é possível, Zapzis.
- É possível. Mas...
- Será possível ter sempre um “mas”? “Mas” o quê, afinal?
- Vai ser preciso fazer um acordo com o PMDB...
Um silêncio sepulcral tomou conta do ambiente. O chefe soltou uma longa baforada de vapor de mercúrio e bufou gravemente:
- O que vocês acham de Vênus?
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