14 junho 2009

Texto 5



O Novo PAC

Como tudo que eles lançam vira moda, rapidamente a crise americana virou crise mundial.Os governantes do Brasil reuniram-se.
Não se sabe de onde surgiu a idéia, mas o fato é que no final da reunião já haviam decidido: iriam relançar o PAC. Levando-se em conta as expectativas do crescimento do PIB brasileiro depois do advento da crise, chegaram à conclusão que não seria marketeiramente viável prosseguir com a antiga denominação do PAC. Por causa das metáforas marítimas ditas, era necessário mostrar ao povo que algo estava sendo feito, daí a nova denominação: Programa de Amenização da Crise.
O congresso nacional serviria de exemplo e, como medida emergencial, suspenderiam passagens aéreas para parentes de terceiro grau.
Os ministérios também teriam que cortar gastos, inclusive despesas estéticas (exceto aquelas extremamentes necessárias para mudar a cara da política nacional), a toxina botulínica americana deveria ser substituida por um produto nacional comprado de revendedora Avon para estimular a verdadeira economia brasileira.
Para os deputados da ativa, ficou estabelecido um número máximo de vinte suítes por cada castelo, os que tivessem castelos com mais de vinte suites deveriam vendê-los ou doar aos filhos e parentes.
Verbas indenizatórias para moradia a parlamentares com residência própria em Brasília ficam assim estipuladas: 50% do valor do auxilio moradia se o parlamentar tiver coragem de fazer pronunciamento, se chorar, 100%.
Considerando que a bolsa de Cingapura caiu e o preço da pinga pura subiu, gastos presidenciais não puderam ser cortados.
As medidas econômicas do Novo PAC serão extensivas ao povo brasileiro que deverá proceder de acordo com a classe social na qual se enquadra.
classe alta-alta: cortar frota de jatinhos.
classe alta: cortar motorista particular.
classe média: cortar seguro do palio.
classe média-baixa: cortar assinatura Sky.
classe baixa: cortar os pulsos.
Com o novo PAC o Brasil vai pra frente! Quiçá 0,7%!

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