SHUPEANHAÇÕES
(Cristiano Carrozzi)
Shakespeare: Quem sois, que me acordais de novo, para encher o saco, se é Elizabeth, me esquece, eu prefiro ir pro buraco.
O Autor: Calma, grande bardo, não se enerve, não se estresse, lhe acordei mais uma vez por razão que lhe apetece.
Shakespeare: E o que seria, caro senhor, isso que quero tanto, não lhe conheço, nunca te vi e não tens cara de santo!
O Autor: A razão é a mesma, que há séculos o mundo canta, a mulher, caro bardo, que até defunto levanta.
Shakespeare: Ora, ora, quem diria, o mundo não está mudado, século vai, século vem, e eu só encontro tapado! Desde quando mulher é o centro do universo?Para elas só gastava, tinta, papel e meus versos.
O Autor: Pois seus versos que não me deixam mentir, ninguém jamais esqueceu, de Romeu e Julieta.
Shakespeare: Ora, caro tapado, tudo conversa pra boi dormir, método da minha época pra comer uma b...
O Autor: Eita!
LFV: É que o bardo em questão não viu nenhuma Luana, se visse, com toda certeza, ficava igual a um banana.
O Autor: Verissimo, você aqui? Será sonho ou eu bebi?
Shakespeare: Quem sois ô gordinho, que me perdes o respeito, morri a quatrocentos anos, mas te pego de jeito!
O Autor: Que me importa se é sonho ou se por ventura é cachaça, agora tenho dois bons, só falta pôr a mulher numa praça. E numa mistura sem igual, de humor e romantismo conquisto aquela lindeza, e isso não é eufemismo.
LFV: Já que vim parar aqui, e me faz falar tudo errado, passa papel e caneta, e nem precisa esperar sentado.
Shakespeare: Me ignoras, que desfeita, já chega gordo folgado!
O Autor: Rapaz, como esse Shakespeare é invocado!
LFV: Auto lá, caro bardo, não lhe perdi o respeito, lhe admiro, lhe prezo, o carrego dentro do peito, mas o palerma em questão não precisa de um bardo, precisa tomar vergonha, e deixar de ser tarado!
O Autor: Olha quem fala, o setentão sem vergonha na cara, certamente não sou eu, que precisa tomar Viagra.
Shakespeare: Opa, epa, agora chega, cavalheiros se comportem, resolvamos a questão, desejo voltar ao post mortem. Diga lá, caro amigo, como é a tua amada, seus olhos, seus seios, sua boca perfumada.
O Autor: Coisa linda como ela, não existe pela terra, os olhos estão sempre juntos, pra que ficar separados? Os seios mas que pecado, foi cada um pro seu lado, nos cabelos passa ungüento, adoro como são grudentos. Sua boca, que sorriso, pra que dente? É tudo liso. As pernas são alongadas, o que não falta é pereba, admiro sua beleza e seu cérebro de ameba.
Shakespeare: Bom, caro amigo, o caso tomará muito tempo, eu sou história, cantado aos quatro ventos. O sono eterno me chama, preciso me retirar, minha alegria é saber, que tal mulher não vai pra lá.
O Autor: E você, gênio Verissimo, o que sugere para mim, não vai deixar um amigo, sofrendo até o fim.
LFV: Caro bardo, não estranhe meu pedido, mas com tal descrição até eu fiquei perdido, vou contigo, sem demora, aperta um pouco, eu te digo. Quanto a tu, caro autor, siga o conselho de um amigo, teu mal não é de amor, nem capeta de igreja batista, o que precisas urgente, é de um oftalmologista!
14 dezembro 2006
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